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Que pena...
Falar mal de algo que você ama é algo extremamente difícil. Mas, como já dizia o palhaço, perco o amigo, mas não perco a piada. Porém, neste caso específico, não perdi o amigo, até porque não o conheço pessoalmente, mas, como certeza, perdi a piada.
Semana passada, aos 45 dos segundo tempo, acredito eu, fui, cheio de expectativa, assistir ao longa de animação “Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock´n´Roll”, do gaúcho Otto Guerra.
Uma droga.
Bom, tudo bem, vá lá: “Uma droga” é, provavelmente, um exagero. Mas, quando a expectativa é muito grande, qualquer resultado menor é tido como fim do mundo. Quando o resultado é MUITO menor, então...
É o seguinte: sou fã de longa data do Angeli. Alias, fã, não. Para mim, Arnaldo Angeli Filho já virou sinônimo de gênio da raça. Nem sequer o considero mais um chargista. Ele já transcendeu em, muito, o que entendemos por chargista. Basta uma olhada rápida no site charge on line, onde temos, lado-a-lado e diariamente, chargistas do Brasil inteiro. Quando tem algum trabalho do Angeli é covardia. A profundidade e a visão única das situações políticas e sociais e o amadurecimento do traço do paulista o torna, de longe, um dos maiores artistas brasileiros.
Mas Angeli não é só charge. Na verdade, grande parte do público o conhece por seus personagens - Rê Bordosa, Bibelô, Bob Cuspe, Mara Tara e, entre outros mais, Wood & Stock, meus preferidos.
Daí a minha extrema exigência em relação a este trabalho que, pelas minhas contas, demorou quase 10 anos para ver a luz do dia - ou, melhor: o escurinho do cinema. Mas, apesar de tanto esforço, o resultado foi decepcionante.
O esforço de Otto foi grande. A preocupação com o traço - dá pra quase apostar que o desenho do filme é do próprio Angeli - a trilha sonora, os dubladores ilustres (Rita Lee e Tom Zé) e tudo o mais.
Só esqueceram de combinar com o público um detalhe: o humor que Angeli impõe às tiras não funciona na animação.
Sabe aquela catarze que o último quadrinho da tira provoca no leitor? Esqueça. Não existe nem sequer algum resquício dele na telona. E olha que muitas das situações que estão no filme foram repetidas Ipisis Literis dos quadrinhos.
Não é a primeira vez que isto acontece. Alguém aí se lembra da charge animada do Chico Caruso no JN? Então, foi à falência justamente porque vinha de um humor previsto para o plano estático, e não para a animação, onde o timing é diferente.
Well, coisa da vida. Claro que o diretor e toda sua equipe merecem parabéns. Só eles sabem a dificuldade que é produzir um longa de animação neste País - um verdadeiro ato de heroísmo. Mas, infelizmente, vai ficar para outra.
Esta coluna foi escrita ao som de “Now”, dos Rolling Stones
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