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Primeiras impressões
Bom, após uma espera considerável - 32 anos, para ser exato - o Brasil tem, novamente, a sua versão da mais celebrada e cultuada revista de música, comportamento e, em última instância, política, do mundo: a Rolling Stone!
O “novamente” se refere à primeira encarnação da publicação em terra-brazilis. Foi entre 1971 e 72, durante dois verões (qualquer semelhança com o filme do diretor gaúcho, Jorge Furtado, “Houve Uma Vez Dois Verões”, não será tanta coincidência assim) que, comandada por gente fina da melhor qualidade, a Rolling Stone brazuca deu o ar de sua graça com cores de rebeldia e frescor, em meio ao preto e branco dos anos de ferro da ditadura.
Em uma coluna passada, cheguei a descrever a emoção de “degustar” a coleção completa do histórico pasquim, que me foi trazido pela querida amiga, a jornalista e editora de cultura deste hora H, Tania Toledo. Sabe quantas pessoas que conheço tiveram acesso a esse raríssimo tesouro do passado? Nenhuma! Morram de inveja! hahahaahah.
Bom, de volta ao presente - que tem muito mais cara de passado do que o passado, que tem muito mais cara de futuro... - as notícias são alvissareiras: não é que a nova Stone brasileira está, como diria um grande filósofo de tempos idos, “coisa fina, coisa boa”!
Uma publicação que acertou em cheio, desde a escolha das reportagens, ao acabamento gráfico e, principalmente, à capa: a modelo Gisele Bündchen, que, para quem não sabe, foi a única brasileira a aparecer na capa da versão original da revista.
O material produzido por aqui não fica nada a dever para o original: textos em primeira pessoa, no melhor estilo “New Journalism”, consagrado por Truman Capote, mas levado às últimas conseqüências pela publicação em questão.
E o material da matriz, então, nem se fala: belíssimas entrevistas com Bob Dylan e Jack Nicholson. Coisa de primeira, mora?
Enfim, uma revista para quem realmente curte música e comportamento de uma forma profunda.
Só tenho medo de uma coisa: em tempos de Internet, textos rápidos e rasteiros, a Rolling Stone nada contra a maré apresentando toneladas de boa informação por página. Uma proposta pouco comercial para os “tempos modernos”, como diria Dylan - e Chaplin, of course.
Mas, como sou um esperançoso inveterado, acredito que, se por um lado, este aspecto pode ser a sentença de morte da revista, pode também ser o seu grande diferencial. Afinal, quem ainda quer mais do mesmo? Longa vida à Rolling Stone. E à Bizz também, viu?
Esta coluna foi escrita ao som da trilha sonora do filme “I Am Sam”
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