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Perfeição
A coluna da Mônica Bergamo deste domingo, na Folha de S. Paulo, me deixou (mais ainda) de queixo caído com esta tal modernidade.
A colunista falava sobre a grande quantidade de jovens que aproveitam as férias escolares para se submeterem a cirurgias plásticas.
A matéria foi recheada com as opiniões de psicólogos, do “arqui-famoso” Ivo Pitanguy e de outros cirurgiões menores – no que diz respeito à fama, é claro, pois no aspecto financeiro é bem provável que sejam tão grandes quanto ou ainda maiores!
Bom, vamos ao que interessa.
Fiquei boquiaberto com o exemplo de patricinhas e mauricinhos que, antes mesmo dos 20 anos já fizeram lipos aqui, colocaram silicone ali e assim vai.
Para o psicólogo Arnaldo Cheixas Dias, mestre em neurociência e comportamento pela Universidade de São Paulo, a moda é "preocupante". "Na adolescência, a identidade ainda está em formação. O jovem só amadurecerá de verdade se aprender a lidar com as próprias limitações", diz ele a coluna.
Ora, é claro, mas é aí que mora o problema: que identidade? Aliás, o que é isso? É um novo produto para tomar após as refeições? É uma nova forma de investimento financeiro? É um novo produto para emagrecer sem ter que parar de comer no Mc Donald's ou é aquele documento que a gente tem que mostrar pro seu guarda quando parados em uma batida policial?, perguntaria um dos bonecos de plástico que serviram para ilustrar a matéria.
Não é de se espantar. O desespero de se encaixar em um padrão estético que foi imposto por não se sabe quem, não se sabe por que, e cumprido à risca pela grande maioria, dá asas ao desaparecimento de toda e qualquer identidade que a juventude, acredito eu, deveria ter. Além disso, patrocina e financia “La Dolce Vita” de muitos charlatões por aí que se dizem médicos. Olha só o absurdo que esse aí declarou à Mônica:
"Uma garota que concorre no mercado amoroso quer ter um corpo compatível”, disse o cirurgião plástico Leonard Bannet, da clínica Santé. Ele também declarou que não vê problemas em declarar, por exemplo, que já "lipou" jovens na faixa dos 14 anos. Para outro debilóide dinheirista da clínica Santé, de São Paulo, "a cirurgia é até um estímulo para a pessoa fazer esportes, porque ela vai à academia, só vê beldades e acaba desanimando". Você acredita? Socorro!!!!! Parem o mundo que eu quero descer!!!!
A obsessão pelo corpo perfeito, pelo sorriso perfeito, pela bunda perfeita, pelo seja-lá-o-que-for perfeito faz a maioria esquecer que “perfeição” é uma palavra que não existe no singular. Perfeição é aquilo que cada olho vê, é aquilo que cada coração sente, seja lá da maneira que for. A culpa é da padronização estética, mental e sentimental que nos assola. Algo, no mínimo, indecente.
Assistir a espetáculos deprimentes como o da mocinha da foto que, com apenas 16 anos, já tinha “repaginado” os seios, o nariz e ainda quer fazer lipoaspiração no culote é algo revoltante. O que uma menina bonita dessas, na flor da idade, quer mudar? Já viu a violência que é uma cirurgia plástica? Eu só vi em um “Reality Show” de quinta categoria que não se importa em mostrar, sem a menor descrição, o cirurgião “cavando” dentro do corpo de mulheres a procura da aprovação da sociedade, mas coloca efeitos “esfumaceantes” nos mamilos, afinal, um seio de fora, durante uma cirurgia, é algo muito imoral, mesmo. Valha-me São Elvis...
Esta coluna foi escrita ao som de “Reptile”, de Eric Clapton
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