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Blog do Simon: http://blogdosimontaylor.blogspot.com

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Oscar, aqui
vou eu!

Salvo acidentes de percurso - como o lobby de algum figurão ou de produtora$ e/ou  outro grande concorrente, como um Almodovar da vida - está pintando um fortíssimo candidato à, finalmente, trazer o Oscar de melhor filme estrangeiro para o Brasil. Eu estou falando de “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”.

Rapaz, vou te contar uma coisa: dá um orgulho danado de ver um filme desse naipe e saber que se trata de um produto brasileiro.

Taí um filme que não pede desculpas por ser uma produção de terceiro mundo, não se parece com nenhum episódio de “Malhação”, não faz concessões a qualquer rostinho-bonito-sem-talento-nenhum e, acima de tudo, não chama falta de talento de “estilo” e nem cai na nêura pseudo-intelectual de repetir o mesmo filme no meio do agreste nordestino - que têm sua legitimidade, sim, mas depois da centésima trigésima nona vez enche o saco, né?

O diretor Cao Hamburger, que trás na bagagem o know-how de dirigir crianças (Castelo Rá-Tim-Bum - O Filme), conseguiu um resultado realmente magnífico em retratar os anos de chumbo da ditadura militar sob a ótica de Mauro, um menino de 12 anos que acha que os pais, ativistas políticos em fuga, estão em uma viagem de férias.

O filme é rico em não ficar apenas na seara política, trazendo também um belo e lírico olhar sob as inocências e descobertas da infância. Qualquer um com menos de 25 anos deve, no mínimo, se emocionar.

Uma das cenas mais fortes e bonitas do filme é quando Mauro diz a Shlomo, senhor judeu que toma conta do menino, após a morte do avô, que “o Brasil está ganhando!”, durante o intervalo da final da Copa de 70. O velho, com a triste expressão de quem, até então, também estava vendo a vida com uma ótica infantil, responde: “Que bom...”, numa clara alusão aos benefícios que o tri-campeonato da seleção canarinho trouxe ao regime militar.

A fotografia e montagem de época também são pontos altos do filme. A textura de imagem nos faz acreditar que estamos em 1970.

Mas, voltando ao ôba-ôba do Oscar, que, com certeza não é tão importante assim, mas pode trazer grandes benefícios ao cinema nacional, existem três aspectos que me fazem crer na indicação ao prêmio: qualquer filme sobre um período ditatorial é um apelo universal. A trama toda se passa em uma comunidade judia e, em se tratando de Hollywood, não precisa nem falar, né? Finalmente, o pano de fundo perfeito para um produto brasileiro: futebol - com direito a Pelé e tudo!

Até parece que estou insinuando que o filme seguiu um manual para o Oscar, mas não é isso. Sua grande virtude está justamente em possuir estas características de maneira perfeitamente justificável e não apelativa.
Alguém aí se lembrou de “A vida é Bela”?

Esta coluna foi escrita ao som de “L.A. (Light Álbum)”, dos Beach Boys

 

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