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Blog do Simon: http://blogdosimontaylor.blogspot.com

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O não-debate

Confesso que titubeei ao bater o martelo sobre o tema para a coluna desta semana. Não sou, nunca fui e, provavelmente, nunca serei um articulista político. Falta-me vontade e conhecimento o suficiente para sê-lo. Mas sou brasileiro. Vivo e trabalho neste País, portanto, acredito que esses fatos, ligados à proximidade do 2º turno das eleições, me classificam a emitir alguns pitacos sobre o debate presidencial de Domingo à noite. Ou, melhor: sobre o não-debate.
O grande objetivo de um debate político, já diria a titia Maria lá no jardim de infância, é trazer a tona dois (ou mais) candidatos nus, despidos de efeitos publicitários, de trilhas sonoras emocionantes, de teatrinhos de faz-de-conta e, olho no olho, confrontar programas de governo para a apreciação e julgamento da população.

Alguém me corrija se eu estiver errado, mas não consegui enxergar nada que se aproxime, nem sequer por alguns segundos, da descrição acima.

O que eu vi foi um espetáculo deprimente. Não no aspecto teatral. Neste, confesso que foi o primeiro momento emocionante desta campanha, onde o candidato azul deixou de lado o bom mocismo e partiu para cima do candidato vermelho com a força de um batalhão de chuchus. Já o candidato vermelho, após o susto inicial, até que se saiu bem em alguns momentos, onde brilhou sua capacidade de fazer gracinhas e sair pela tangente, assim, como quem não está nem aí, não sabe de nada.

Muito bacana, para quem queria assistir uma verdadeira briga de galinhas, como aquelas que o publicitário do candidato vermelho gosta.

Agora, para quem queria conferir algum tipo de plano de governo, algo que realmente represente a sede de mudança que este País desgraçado - mas bonito por natureza - tanto anseia, nada.

O que se viu foi dois homens que não responderam absolutamente NENHUMA pergunta que lhes foi feita. Dois homens com os nervos a flor da pele, demonstrando um nervosismo que só a sede desesperada pelo poder, tanto pelo lado pessoal quanto pelo lado do “seu” pessoal, pode provocar.

Nem um dos dois estava preocupado com em debater nenhuma idéia, mas sim em ganhar um jogo, custe o que custar.

Na manhã da segunda, não raro, todos os veículos de comunicação apresentavam análises detalhadas que levavam, sempre, a mesma pergunta:

Quem ganhou o debate?

Well, meus queridos (4 ou 5) leitores, não sei lhes responder quem ganhou o debate, tão pouco quem ganhará a eleição, mas sei, com certeza, lhes responder quem perderá: nós.

Azul contra vermelho, nada de preto no branco

Esta coluna foi escrita ao som de “Come Away With Me”, de Nora Jones

 

 

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