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Palmas para
os Mutantes
que eles merecem!
Ok, sei que escrevi de maneira não muito positiva sobre a tão falada volta dos Mutantes no já distante ano passado. No texto em questão eu considerava sobre os perigos de uma retomada que pudesse manchar o bom nome que o grupo escreveu na história do rock brasileiro – e mundial!
Well, de certa forma, ainda mantenho meu ponto de vista. Mas após ter assistido o DVD que mostra o primeiro show desta volta no Barbican Theatre de Londres – o mesmo que apresentou ao mundo o tão aguardo “Smile” de Brian Wilson – tenho que dizer que o meu tal “ponto de vista” já se encontra cercado de flores e sorrisos.
Os Mutantes versão 2006 foram muito corajosos em registrar justamente o primeiro de uma série de shows que se estenderia por várias cidades americanas. A banda está visivelmente nervosa nas primeiras músicas – a guitarra de Serginho Dias chega a falhar em alguns momentos – mas na medida em que o show avança, toda a tensão vai embora e a banda se solta para brindar a platéia inglesa com um espetáculo belíssimo onde, se não há a tão sonhada formação original, há um fantástico show carregado de emoção e de apuro técnico.
A presença de Liminha faz falta, pois daria uma legitimidade maior à empreitada, mas apenas neste quesito, pois no resto, a banda de apoio não faz feio em nenhum momento – um destaque especial à participação de um curitibano na trupe, o tecladista/flautista Henrique Peters do Black Maria, Ipisis Literis e Camarada Zó.
A situação de Arnaldo Batista é um pouco mais complicada. Vítima de uma lesão cerebral causada pela tentativa de suicídio – ele se jogou da janela do 8º andar do hospital onde se encontrava -, o compositor de “Balado do Louco” pouco pode fazer devido a suas limitações, mas este pouco é justamente o que caracteriza a volta dos mutantes. Seu teclado parece desligado e, nas poucas musicas que canta, sua limitação vocal fica evidente, mas o sorriso, esse é o mesmo. Parece pouco, mas é definitivo quando se fala de Mutantes.
A discreta Zélia Duncan é a grande surpresa do show. Confesso que nunca gostei muito da brasiliense, mas a postura que a cantora assumiu é surpreendente e sua escolha acabou se revelando uma grande sacada: colocar uma cantora de vocais agudos traria comparações evidentes com Rita Lee. Os vocais graves de Zélia põem por água a baixo qualquer semelhança e trazem um arzinho novo para uma banda que lançou seu primeiro disco em 1968. O baterista Dinho também surpreende: para que ficou 30 anos sem pegar em uma baqueta, o músico está em ótima forma.
Comentar sobre o desempenho de Serginho na guitarra e voz é chover no molhado. Trata-se, seguramente, de um dos maiores guitarristas do mundo. A grande dúvida agora é o que o futuro reserva aos novos Mutantes. Em recente entrevista à Bizz, Sérgio Dias revelou que Zélia está definitivamente na banda e que os dois estão trabalhando em novas composições. “Sem nenhuma data para lançamento”, faz questão de afirmar o guitarrista.
Ainda tenho meu pé atrás, afinal, não dá pra simplesmente voltar com os Mutantes e lançar qualquer coisa, mas, a julgar pela qualidade do DVD em questão e do astral, alegria e emoção envolvidos nesta “retomada” de carreira, as perspectivas são as melhores.
De toda forma, qualquer novo álbum destes novos Mutantes será, infelizmente, muito melhor do que qualquer “grande” disquinho que qualquer nova banda “salvação do Rock” poderá fazer.
Esta coluna foi escrita ao som de “BBC Stew” do Deep Purple
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